DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

A DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), sigla desconhecida por muitos, revela uma doença que diminui significativamente a qualidade de vida, pelo que importa saber mais sobre ela, nomeadamente as principais causas podendo assim evitá-la ou na presença de fatores de risco ou sintomas, saber como suspeitar dela para que se possa recorrer ao seu médico atempadamente.

A DPOC é uma das mais importantes causas respiratórias crónicas de mortalidade e de diminuição da qualidade de vida em Portugal. Em Portugal afeta14.2% dos indivíduos adultos com mais de 40 anos de idade está na origem, anualmente, de quase 8.000 internamentos, de uma mortalidade aproximada de 3000 doentes e de uma importante despesa de saúde, em custos diretos e indiretos.

É uma doença crónica que se instala de forma relativamente silenciosa. O grau de suspeição para o diagnóstico desta aumenta quando há presença de tosse mais frequente, com produção de expetoração, maior cansaço e falta de ar, sobretudo nos doentes com história de contacto com agentes poluentes, principalmente o fumo de tabaco.

Para a sua identificação, é essencial a realização de um exame, um teste da função respiratória, a espirometria. A espirometria é um teste simples, de fácil realização, de interpretação imediata, constituindo também a forma mais objetiva de deteção precoce desta patologia, por vezes ainda sem uma sintomatologia muito evidente e eventualmente ainda em fase passível de resposta ao tratamento.

Sendo a DPOC uma doença progressiva que evolui para insuficiência respiratória com importante limitação funcional e diminuição da qualidade de vida, só um diagnóstico numa fase precoce e a implementação das respetivas medidas terapêuticas, poderá evitar esta nefasta evolução.

Evitar o tabaco
O tabaco é a principal causa da DPOC.

Não existe uma relação linear entre o número de anos de exposição ao tabaco e a DPOC. A exposição continuada, durante 30-40 anos, pode resultar numa elevada probabilidade da existência de obstrução aérea e presença de sintomas.

Entre 20 a 35% dos fumadores não desenvolvem sintomas de DPOC, mas mesmo não apresentando sintomas, se forem avaliados, apresentam alterações da função respiratória. Por esta razão está recomendado pela DGS (Direção Geral da Saúde) a realização de uma espirometria em indivíduos com mais de 40 anos, mesmo que assintomáticos, desde que tenham história de tabagismo, com o objetivo de se efetuar um diagnóstico precoce.

A cessação tabágica é então a intervenção com maior capacidade de alterar a história natural desta doença.

Evitar o tabaco e utilizar proteção respiratória, como uma máscara de proteção se existir exposição a poeiras de origem profissional ou não, são as melhores formas de prevenir a DPOC.

Mara Marques

Licenciada em Medicina

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